Sim as amizades mostram o que somos.
Tanto o tipo de amizades, como as pessoas que são nossas amigas, o tempo que elas permanecem sendo amigas, as formas que tomam e adquirem as amizades.
Então nossas dinâmicas amistosas e nossas amizades dizem quem somos, como somos, o que se pode esperar de nós, e o que não, também.
Algumas amizades evoluem com o tempo, outras com ele fenecem, morrem ou de inanição ou de falta de assunto, que alimente a conexão...Alimentamos algumas que vêm do berço, amigas-primas, amigas-irmãs, que crescem e aparecem com a gente. Outras amizades que passam séculos sem dar sinais de vida, mas que possuem vida! Que lá estão, vivas mesmo sem o contato diário, e que quando voltam ao mundo, o tempo não passou, o sentimento é perene, a empatia a mesma de sempre.
Amizades singulares, com pessoas singulares, que jamais fariam amizade umas com as outras se nós, não fóssemos o elo, assim como nós mesmos caimos muitas vezes de para-quedas em amizades que nem sabemos como iniciaram... Mas que são amizades.
Há aquelas que nunca evoluem do nivel da cortesia, do bom dia, olá, tudo azul? E que são boas assim sendo. Pois esse olá deixa tudo azul.
Outras se tornam necessitadas, são as amizades que nós absorvem, que podem sem querer nos engolir, se assim permitimos. Amizades-sombras...Que no dia menos esperado ao olhar para elas, para as amizades, vemos a nossa imagem e semelhança, pois se tornaram cópias fiéis, em gostos e aparências...Destas devemos cuidar, sim, ter cuidado.
Existem as que do simples se transformam em profundas...Amizade encontrada em um curso, em um café, um congresso,com uma pessoa de idade diversa, nunca antes imaginada, e que com os dias, meses, anos, se torna amiga-mãe, amigo-pai...Que não cobra, que simplesmente existe, ouvindo em dias cinza, em dias rosa, em dias azuis...
As amizades virtuais, encontradas ao abrir o PC, sala de visitas infindável e miraculosa! Que adquirem as mesmas formas e possibilidades das amizades do mundo aquí fora...Com as mesmas dinâmicas, com as mesmas transformações, as mesmas diversidades, os mesmos conflitos, porque somos os mesmos seres humanos, aqui ou lá.
As amizades que se tornam desavença e voltam um dia a ser "as amizades", por que crescemos e criamos consciência de que falhamos e sentimos falta, saudade da nossa amizade...
Mas em todos os mundos, mesmo eu sabendo que no meu círculo de amizades, sempre estarão os que nunca serão amigos uns dos outros, mesmo que de mim sejam, mesmo eu tendo a certeza de que não cabe a mim servir de elo, entre quem não sente empatia por outrem, eu acalento sinceramente a esperança de não ouvir amigo, falando mal de amigo, ainda que não o sejam entre si, mas que sejam meus amigos. Que por saber que são meus, cuidem das palavras.
Acalento essa idéia sem pensar nela como utópica, mas sim como regra de respeito, por mim e pelo outro.
Palavra e pedra uma vez atiradas não voltam e fazem estrago ou não...
Besos,
Luciana Onofre






