27/06/2008

Tempos





Quando eu era pequena o tempo era mais distendido, claro como para toda criança é.
Para mim ele se distendia ainda mais, porque ao ficar imóvel, quieto, obrigatoriamente o tempo passa mais devagar, quando não, nem passa.
E um dos meus pedidos era: que ele corra, que passe rápido. Para que os males com ele partam...
Naquele então, as coisas eram também mais lentas, os momentos mais eternos, mais longos, as leituras ocorriam sem os relógios apressando os olhos.
Os dias eram mais frutíferos, muita coisa neles ocorria...

As tardes em particular, eram o período do dia mais longo, mais devagar, mais amplo para mil coisas aplicar. Creio eu eram mais produtivas.

Hoje ou se faz uma coisa, ou outra, por que duas, bem feitas não vingam bem...

O mundo virtual, ele é o acelerador mais potente e radical do tempo. Mutador de tudo o que no tempo, dentro do tempo ocorre. Tão célere que assusta até aos mais acostumados com
metamorfoses contínuas.

Verdades, locais, nichos, pessoas, pensamentos, adquirem na net uma necessidade de alternância assustadora. Uma viciante atração por mutar.

Em dois dias apenas, ou um, quando ausente o usuário, ao voltar ao vitualis mundi, pode não encontrar mais nada daquilo que deixou no último dia, antes de desligar seu pc, ou encontrar que tudo o que era, hoje é outra cosa, diametralmente opositora ao que antes apresentava...

Este fenômeno pode derivar em duas coisas: ou o usuário abandona a ciclicidade do seu acesso à net, ou jamais correrá o risco de ausentar-se e ver o mundo virtual virar de cabeça para baixo.

Qual a melhor opção?

Sinceramente?

Que o mundo virtual faça o percursso que quiser, e você querido usuário, viva sem medo do que pode acontecer em sua ausência (ausência nada mais do que normal, pois você não é um avatar ou ícone, e vive do outro lado da tela sua vida)...

Entre e saía, acesse e desloge, viva aqui e lá...

Se você mergulhar de cabeça no mundo virtual, haverá um instante, no qual estará completamente esvaziado, sem nada a dizer, ou oferecer. Se você viver, andar, falar, descobrir o mundo concreto, garanto sem dúvida alguma que se estoque jamais ficará zerado...

O velho senhor Equilíbrio bate na nossa porta, vamos deixá-lo entrar?


Beijos,

Luciana Onofre

1 comentários:

Maria Fernanda disse...

que legal aqui! :)

 
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